Por Breno Nunes, PhD
Exportação é o sonho de muitos que desenham a política econômica do país ou a estratégia empresarial de companhias nacionais. Fica a impressão de que o sucesso de empresas globais é apenas baseado por uma única estratégia de entrada em mercados estrangeiros, a desejada exportação. Nesse segundo post, vou lembrar outras formas de engajamento no mercado global que não podem ser esquecidos à medida que empresas brasileiras começam a competir na arena global.
Exportação é sem dúvida um ótimo início. Exige baixo investimento, mantém controle da produção em casa, minimizando riscos de apropriação indevida de tecnologia. Se os custos de transporte e tarifas de importação/exportação não forem um empecilho, a exportação é de fato uma boa escolha para competir no mercado global. Contudo, o que fazer se os custos de transporte ou as tarifas para exportar forem altos e inviabilizarem as transações comerciais? É hora então de buscar outras estratégias de entrada, dentre elas: licenciamento, franquiamento, ou mesmo investimento direto em mercados estrangeiros através de aquisições, fusões, joint venture, ou expansão da capacidade produtiva no exterior construindo novas plantas produtivas (greenfield investment).
Se a sua empresa não tem experiência em gerenciar operações no exterior, talvez seja melhor iniciar comprando de um fornecedor estrangeiro – através do fornecedor você pode aprender as questões culturais, legais, os custos de operações no exterior. Daí, parcerias com o fornecedor podem ser estabelecidas para licenciamento, produção conjunta (joint venture), ou fazer uma aquisição do fornecedor a fim de ter uma unidade de produção no exterior. O importante é que a decisão seja feita dentro de um alinhamento geral com os objetivos de negócios. Há empresas que precisam acessar recursos de baixo custo, outras que necessitam ficar mais próximas de novos mercados consumidores, ou mesmo aumentar capacidade de produção em escala para ter maior eficiência dos ativos de produção.
Fábricas estrangeiras são vitais na estratégia empresarial. Nelas se cria a condição de experimentar novos sistemas de produção, novos designs para produtos inovadores sob a ótica de novas culturas, dentre outros benefícios. Foi nisso que GM, Ford, e Volkswagen apostaram no Brasil nos anos 90. Hoje temos um dos setores automotivos mais avançados do mundo com modelo de produção em condomínios industriais.
A decisão de globalizar produção, no entanto; acarreta no aumento de complexidade e do risco operacional e financeiro, já que parte da produção estará sendo realizada em um ambiente não tão conhecido como o solo nacional. Fatores macro-econômicos precisam ser levados em conta para evitar que instabilidades políticas ou econômicas causem mais problemas do que tragam benefícios – vale lembrar da dor de cabeça que a Petrobras teve na Bolívia. No começo do ano de 2011, a Nissan teve que suspender a produção por alguns dias no Egito durante a revolução contra o regime de Mubarak. Problemas de infra-estrutura (em especial, transporte e telecomunicações) podem tornar a experiência complicada também. De qualquer forma, o estabelecimento de uma rede de operações (produção) global é um caminho natural para empresas globais. Quem decidiu ir à China vinte anos atrás, aproveitou maiores margens de lucro e continua colhendo bons frutos até agora por ter mais experiência no mercado chinês. Qual o próximo hot-spot global? Uma vez que o sudeste asiático se desenvolve rapidamente, será a África a próxima ‘bola da vez’? Como o Brasil pode aproveitar sua boa relação com as ex-colônias portuguesas e estabelecer uma presença no continente africano a fim de sair na frente dos competidores globais?
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